SAEPE | Sociedade de Anestesiologia do Estado de Pernambuco

Sociedade Brasileira de Anestesiologia desmistifica o ato anestésico

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16 de Março de 2016

A hora de encarar uma cirurgia, seja ela de pequeno ou grande porte, é sempre algo temido pelo paciente. E parte importantíssima do ato cirúrgico é a anestesia. Ainda assim, a maioria das pessoas vê a anestesia como algo obscuro, desconhecido e, apesar de pesquisar bastante sobre a cirurgia que vai realizar, não se informa sobre o ato anestésico.

A anestesia é o estado de total ausência de dor e outras sensações durante uma operação, exame diagnóstico ou curativo, que pode demorar o tempo necessário para o procedimento e também pós-procedimento. Ela pode ser geral, para o corpo todo, ou parcial (regional), quando apenas uma região do corpo é anestesiada. “Sob o efeito da anestesia geral, o paciente dorme. Com anestesia regional, ele pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência, embora parte de seu corpo fique anestesiada” explica o Dr. Fernando Carneiro, presidente da Sociedade Brasileira de Anestesiologia.

Ela é aplicada por médicos especialistas, que cursaram seis anos da Faculdade de Medicina e mais três anos de curso de especialização, no mínimo. “Muita gente desconhece que estes médicos não só aplicam a anestesia, como também cuidam do paciente durante toda a operação e além dela. Controlam pressão arterial, pulso, ritmo cardíaco, respiração, temperatura e outras funções orgânicas importantíssimas. Cuidam de tudo para que o paciente esteja sem sofrimento, seguro e para que o cirurgião possa fazer o trabalho com tranquilidade”, esclarece o anestesiologista, que também é Doutor em Medicina pela Santa Casa de São Paulo e Membro da Academia de Medicina Goiana.

Existem diversos tipos de anestésicos gerais e locais. Os locais são depositados perto dos nervos, enquanto anestésicos gerais são administrados pela veia ou através da respiração. Todos proporcionam anestesias adequadas. Segundo Dr. Carneiro, a escolha do anestésico varia com o tempo e o tipo de operação, com as condições físicas e emocionais do paciente: “depois de conhecê-lo, avaliar seus exames pré-operatórios, saber a cirurgia proposta, o anestesista indicará a melhor opção”.

É fundamental que o paciente se informe com seu médico sobre como será a anestesia e que tenha uma consulta com o médico anestesista no pré-operatório. Na ocasião, todos os esclarecimentos serão feitos. Antes da cirurgia, o anestesiologista examinará o paciente, prestará informações e orientará sobre alguns exames de laboratório e de imagem que poderão ser necessários. Já no pós-operatório, o processo de recuperação pode demorar alguns minutos ou algumas horas, dependendo da duração e do tipo da anestesia aplicada. Durante este tempo, o paciente estará sob os cuidados de pessoal qualificado para evitar complicações e surpresas. “Graças às modernas técnicas de anestesia, apenas um número muito pequeno de pacientes chega a sentir-se mal. A grande maioria não sente nem se lembra de nada. O anestesista zela para que lhe seja assegurado o máximo conforto”, explica Dr. Carneiro.

Outra informação pouco divulgada é que o paciente tem o direito de escolher o seu médico anestesista. “Normalmente, porém, os hospitais possuem serviços de Anestesia com os quais o cirurgião escolhido já está acostumado a trabalhar. Afinal, operação é trabalho de equipe, e ele gosta da equipe completa”, pondera o presidente da SBA. 

O paciente também pode – e deve – colaborar com o ato anestésico. Dr. Carneiro dá algumas orientações: “Não se deve comer nem beber qualquer coisa pelo menos seis horas antes da operação, nem água. É para ficar em jejum mesmo. É necessário contar ao anestesista os nomes de todos os remédios tomados regularmente. Em especial, enumerar aqueles a que se temalergia. Serão removidas da boca do paciente quaisquer peças dentárias móveis como dentaduras, pivôs, pontes, especialmente as de menor tamanho. Não é indicado o uso de cosméticos ou produtos de beleza no dia da operação, nem jóias pessoais como anéis, pulseiras, relógios de pulso, brincos, retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços e outros objetos desnecessários. Gomas de mascar são proibidas antes da cirurgia, pois provocam aumento de ar e de sucos no estômago, o que pode causar vômito depois da operação. É bom também largar o cigarro pelo menos 15 dias antes da operação. Mas se o paciente é inveterado, é preciso reduzir bastante: no máximo 1 cada 4 ou 5 horas. Siga, de forma obediente, as orientações dos seus médicos e tenha uma boa cirurgia!”

Fonte: Jornal do Brasil